Parece simples
Parece que todas as vezes que volto aqui as coisas mudaram mais uma vez. Cor, textura, cheiro, pessoas… talvez eu, talvez você. Assim, me concentro em procurar o que está diferente e encontro pequenas respostas e outros clichês.
Parece que sinto sua falta, justamente naquele dia que mais te vejo. Será assim amanhã e depois, pois só a saudade é capaz de tirar a prova dos nove daquele sentimento que experimentamos. Algo óbvio.
Parece que a chuva pela manhã traz algo que conforta, não só pelo barulho de lá de fora, mas por esse momento de parar e escutar os primeiros pingos, e aos poucos, garoa e depois tempestade. Sossega minha cabeça cansada da mesmice.
Parece que a TV desligada tem a capacidade de refletir na tela meus sonhos esquecidos e possivelmente acionados pelo controle. Mesmo que seja o remoto.
Parece que as roupas ainda estão lá no cesto esperando por água, sabão e amaciante. Não quero desmanchar aquele encontro depois que depositamos nossas vestes, suadas, quase sujas. Teu sabor estava ali. Não ficou perdido como outras ideias.
Parece que tenho a capacidade de estar bem naqueles dias em que o Sol brilha, anunciando uma nova experiência. Demoro para entender seus sinais, os raios brilham aqui dentro. Nos dias cinzas, também estarei ao seu lado, ou melhor, ao seu redor.
Parece que a vontade que sinto é permanecer neste conforto tão peculiar, causado com a sua presença.
Parece que tudo vem mudando. Ainda bem, quero dias com novos desafios, mesmo que pareça tão simples. Nunca será…
“Eu não moro na sua vida
Eu não procurei por você
Eu sei onde fica a saída
Não precisa me dizer
Eu não bato na sua porta
Eu não acredito em você
A sua palavra me corta
Eu não quero mais…”
(trecho da música Eu Não Moro na Sua Vida, de Isabella Taviani)
Anclar Patric Crippa Mendes é jornalista do Jornal Cruzeiro do Sul e semanalmente escreve na coluna Pense Bem
Green Sunset: Quarion
O MIS apresenta a primeira edição de 2012 da Green Sunset, evento de música eletrônica que abre a programação do ano trazendo o DJ Quarion, com apoio do Consulado da Suíça e da Pro Helvetia, fundação suíça para cultura.
Grande nome do deep house internacional, o artista, que começou sua carreira na década de 90 (quando apresentava-se como Ianeq), tem grande influência de gêneros como jazz e hip hop – como pode ser notado nos hits Karasu e Pepper Candy.
Além de Quarion, apresentam-se o DJ paulistano Tahira e o VJ Suave, que fará projeções de videomapping na fachada do Museu. O grupo Grite Poesias completa a programação com suas intervenções lúdicas junto ao público, veiculando poesias em balões, flores, broches e adesivos. Durante todo o evento, haverá um open bar com drinks à base de whiskie Passport.
Sobre o artista
O suíço Quarion tem produzido uma ampla variedade de estilos de musica eletrônica na ultima década. Ele começou sua carreira no final dos anos 90, produzindo jazz breaks, hip-hop e drum’n’bass, época em que assinava como Ianeq. Mais tarde, fundou seu selo independente Retreat e Drumpoet Community. Atualmente seu estilo é um deep house extremanente etéreo, com instrumentações e arranjos sofisticados. “Karasu” e “Pepper Candy” foram seus últimos hits na cena underground.
O que é? performance / música
Quando? 11fev2012 – 16h às 22h
Onde? Nas áreas externas do MIS e do MuBE
Quanto? R$ 10,00 (50% de desconto para estudantes)
Fonte: site oficial
Bilhetes do teu perdão
O sinal de perdão não veio num simples pedido de desculpas. Naquela ocasião e em tantas outras, o desgaste da palavra não dava o devido valor ao ato. Frases como eu te amo, me perdoa, desculpe, eu errei, deveriam ser usadas no momento certo e exato da discussão ou também na constante alegria. Foi nesta busca, quase que diária, que pela primeira vez resolveu não falar nada. O silêncio incomodava mais do que qualquer gritaria. Agredia sem deixar marcas.
Nas outras vezes, a facilidade do perdão era hábito. Havia uma espera. Tal qual uma criança que será chamada atenção pelos pais após traquinagem. A cobrança se torna infantil e a palavra mágica perde-se na imensidão do erro. Estão em pé de igualdade, nem um passo acima e nem um degrau abaixo. Apenas o desejo tão humano da reconciliação. Ou seria divino?
Resolveu assim espalhar pequenas pistas pela casa. Bilhetes com as frases que sempre grifava nos inúmeros livros deixados no criado-mudo ao lado da cama. Nunca soube que tivesse, sequer um dia, aberto aqueles segredos não guardados, mas trancafiados apenas pela liberdade da curiosidade. A brincadeira séria demais transformou aquela semana em dias inesquecíveis.
Nem mesmo a letra lembrava mais. Pra falar a verdade, nunca havia recebido nenhuma carta ou bilhete. Somente no primeiro dia do encontro, quando insistiu pegar o telefone anotado rapidamente em um guardanapo de papel.
Agradável surpresa. Em cada cômodo, uma mensagem, um enigma decifrado, resultado de lembranças antigas e emocionais. A última anotação, e não menos importante, trazia os seguintes dizeres: a intolerância vem de mim, que não entende que a desculpa pode ser uma mudança tênue de comportamento, um abraço amansado com o rosto no ombro, um beijo trêmulo, a troca de assunto. O recado foi encontrado dentro do casaco preferido, com a certeza que seria lido um dia.
Relembrou aos poucos que a verdade do perdão já havia ocorrido entre eles. Espontâneo. Estava até achando estranha algumas ações, o abraço estava mais forte, o beijo mais constante e os assuntos vertiam com nunca. Ao invés da palavra fácil e sem importância, optou por uma mudança, tão necessária, como o teu e o seu ato de perdoar. Mais do que coragem, é preciso ir além da nossa incapacidade de compreender o outro.
Hoje, segunda-feira, dia de abrir espaço para a possibilidade de dizer novamente: te perdoo.
“Sei de mim
Guardo teus segredos
Chaves, códigos, erros
Sei você
Como um livro aberto
Um passo cego à beira do abismo…”
(“Sei de Mim”, interpretação de Pedro Mariano e Luiza Possi)
Anclar Patric Crippa Mendes é jornalista do Jornal Cruzeiro do Sul e semanalmente escreve na coluna Pense Bem
Chronicle
Muita gente em Nova Iorque acabou sendo impactada pela interessante ação promocional criada pela agência Thinkmodo. “Pessoas” voaram pelos céus da cidade divulgando o filme “Chronicle” (Poder sem Limites) que entra em cartaz por lá no próximo dia 03 de fevereiro.
[Image du Jour] – Iemanjá
Hoje é dia de Iemanjá!
Artista: Marcel Mello
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Turn me on
Tire-me para dançar
Hoje, logo pela manhã, a felicidade tirou-me pra dançar. O dia nem ensolarado estava; mas aceitei de prontidão. Pediu para escolher a melhor trilha sonora, principalmente uma que ela pudesse cantar no meu ouvido. Não importava o ritmo, qualquer passo poderia ser improvisado naquele momento. Com mãos firmes peguei em tua cintura, com a certeza que não queria mais soltá-la. Nunca.
E antes mesmo da dança começar fez questão de colocar sorriso no meu rosto. Aquele que elogiam, quando deixo à mostra a covinha nas bochechas. Talvez a última vez que sorri foi com você, pra você. Um convite só pode ser aceito com o coração, seja ele o mais simples que for.
Quando entrelaçamos os dedos, senti o calor daquela situação. Estava certo que seria uma coreografia única, passando por cada instante daquela última semana marcada por momentos importantes, outros de desafios, e também de pequenas tristezas guardadas. Entre tantos tropeços, ninguém pisou no pé, causando desconforto.
A ideia era justamente essa: bailar sem compromisso, desocupar a cabeça e sentir, se possível fosse, a perna amolecer no compasso de cada canção. Uma seria muito pouco pra reviver tudo.
Dançamos sem nos preocupar a que horas voltar, me sinto em casa quando estamos juntos. Vivemos em paz, eu e a felicidade. Desde o início em que nos encontramos, conterrâneos, nos perdemos em nós mesmos. Também, apesar de esquecê-lo em alguma gaveta qualquer, o mapa deste destino estava gravado na minha memória.
Esquecer, jamais, pois a felicidade, como tantas outras coisas nesta vida, é viciante.
“Deixei a mão da poesia
Rabiscar um poema
Pra falar de amor
Ter você como tema
E agradecer em verso a prosa que eu ouvi
Em letra e melodia
Agradeço o dia em que te conheci…”
(trecho da música Poesia, da sambista Teresa Cristina)
Anclar Patric Crippa Mendes é jornalista do Jornal Cruzeiro do Sul e semanalmente escreve na coluna Pense Bem
[Image du Jour] – Terra
Novo set – Deejay Asllam
E essa semana, o DJ Asllam divulgou o seu mais novo set – Wonderful 2012.
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